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YALORIXÁ PROFESSORA RAIMUNDA: ANCESTRALIDADE, EDUCAÇÃO E RESISTÊNCIA QUE ECOAM PELA BAHIA

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ENTRE O TERREIRO E A ESCOLA: A TRAJETÓRIA DE UMA MULHER NEGRA QUE TRANSFORMA VIDAS POR, MEIO DO CONHECIMENTO, DA CULTURA E DA ANCESTRALIDADE.

Nos dias 28 de maio de 2026, durante a celebração dos 10 anos do Troféu Axé Destaque, em São Francisco do Conde, e em 06 de junho de 2026, no Festival Inú-Ààyè (Ventre Vivo), realizado no Centro de Convenções de Feira de Santana, a Yalorixá Professora Raimunda dos Anjos Silva, de Acajutiba (BA), voltou a ocupar um lugar de destaque entre as lideranças reconhecidas por sua contribuição à cultura afro-brasileira, à educação e à preservação dos saberes ancestrais.

Mais do que uma homenagem individual, os reconhecimentos recebidos representam a valorização de uma trajetória construída ao longo de décadas de compromisso com a comunidade, com a educação popular, com os direitos das mulheres negras e com a defesa dos povos de terreiro como espaços legítimos de produção de conhecimento, memória e cidadania.
A presença contínua da Yalorixá Raimunda em eventos de relevância estadual demonstra o fortalecimento de uma liderança que articula espiritualidade, cultura, educação e transformação social, tornando-se referência para novas gerações de mulheres negras e para os movimentos de valorização das identidades afro-brasileiras. O Terreiro como Espaço de Cultura Viva.

Conforme registrado no Portfólio Cultural do Ilê Axé Odé Obá Kêtu, localizado no município de Acajutiba, o terreiro constitui um espaço tradicional de matriz africana que atua como guardião de saberes ancestrais, centro de vivência espiritual, cultural e comunitária. Fundado a partir da continuidade dos ensinamentos da Yalorixá Maria Donata dos Anjos de Assis e do Babalorixá Luiz Alves de Assis, o Ilê Axé Odé Obá Kêtu consolidou-se como referência de preservação da tradição Kêtu, da mitologia iorubá e dos fundamentos civilizatório africanos presentes na formação da sociedade brasileira.

Sob a liderança da Professora Raimunda, o terreiro ampliou seu papel social, tornando-se também um espaço de letramento afrocentrado, educação comunitária, fortalecimento da autoestima negra e promoção da cidadania cultural. Essa dimensão educativa rompe com estereótipos historicamente impostos aos povos de terreiro e reafirma aquilo que os movimentos negros vêm defendendo há décadas: os terreiros são espaços de produção de conhecimento, de preservação da memória coletiva e de formação humana. Educação Afro centrada Como Instrumento de Transformação
Professora por formação e sacerdotisa por vocação ancestral, Raimunda dos Anjos Silva construiu uma trajetória que une o conhecimento acadêmico aos saberes tradicionais africanos.

Seu trabalho evidencia que a educação afro centrada não se limita ao ensino da história africana. Trata-se de uma perspectiva pedagógica que reconhece a centralidade das culturas negras na formação do Brasil, promove o pertencimento identitário e combate os efeitos históricos do racismo estrutural.
Ao incentivar a leitura entre crianças e jovens, fortalecer a identidade negra e promover ações educativas dentro do terreiro, a Yalorixá contribui diretamente para os princípios estabelecidos pela Constituição Federal, pela Lei nº 10.639/2003, pelo Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010), pela Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais.

Seu trabalho demonstra que a educação pode ser instrumento de emancipação quando dialoga com a ancestralidade, com a memória e com a realidade das comunidades. Mulheres Negras na Linha de Frente da Resistência A trajetória da Yalorixá Professora Raimunda também se insere na história de resistência das mulheres negras brasileiras. Durante séculos, mulheres negras foram responsáveis pela preservação de saberes, práticas culturais, línguas, espiritualidades e formas coletivas de organização comunitária. Nos terreiros de matriz africana, muitas dessas mulheres assumiram papéis centrais na proteção da memória ancestral e na defesa dos direitos humanos.

Ao receber homenagens em eventos como o Troféu Axé Destaque e o Festival Inú-Ààyè, Raimunda representa não apenas sua própria caminhada, mas também a luta de milhares de mulheres negras que enfrentam diariamente o racismo, o sexismo e as desigualdades sociais.
Sua atuação reforça a necessidade de ampliação das políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade racial, para o reconhecimento dos territórios tradicionais e para a proteção das lideranças femininas negras que atuam em suas comunidades. O Combate ao Racismo Estrutural Passa Pela Cultura.

O reconhecimento da Yalorixá Raimunda ocorre em um contexto histórico em que a cultura assume papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa. O racismo estrutural não se manifesta apenas por meio da discriminação direta. Ele também se revela na invisibilização de histórias, no apagamento de memórias e na negação da contribuição dos povos africanos e afro-brasileiros para a formação nacional. Valorizar lideranças como Raimunda significa fortalecer narrativas que historicamente foram silenciadas e reconhecer que os terreiros de matriz africana constituem patrimônios vivos da cultura brasileira.

Ao mesmo tempo, significa afirmar o direito das comunidades tradicionais de existir, de preservar seus modos de vida e de transmitir seus conhecimentos às futuras gerações. Uma Referência Para o Presente e Para o Futuro A participação da Yalorixá Professora Raimunda nos eventos realizados em São Francisco do Conde e Feira de Santana evidencia que sua trajetória continua em ascensão e alcançando novos espaços de reconhecimento. Essa atuação reúne elementos fundamentais para a construção de uma Bahia mais plural: ancestralidade, educação, cultura, espiritualidade, igualdade racial, protagonismo feminino e compromisso comunitário.

Mais do que homenagens, os reconhecimentos recebidos em 2026 representam a legitimação pública de uma caminhada construída com dedicação, acolhimento e responsabilidade social. A história da Yalorixá Professora Raimunda reafirma que os terreiros seguem sendo territórios de resistência, produção de conhecimento e fortalecimento da identidade negra. E demonstra que a ancestralidade permanece viva quando encontra mulheres comprometidas em transformar memória em ação, tradição em educação e cultura em instrumento de emancipação coletiva


Porque preservar a ancestralidade é preservar o futuro. E reconhecer mulheres negras guardiãs da memória é fortalecer os alicerces de uma sociedade verdadeiramente democrática, diversa e antirracista.

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