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FREMAUBA-BA FORTALECE A LUTA DOS POVOS DE TERREIRO E CONSOLIDA A INTEGRAÇÃO ENTRE TERRITÓRIOS DA BAHIA ATRAVÉS DA ANCESTRALIDADE, CULTURA E RESISTÊNCIA COLETIVA

Professor PAI BIRA de Irará-Ba, Presidente da FREMAUBA e idealizador do evento.

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Irará (BA), 24 de maio de 2026 — O chão de Irará voltou a pulsar ancestralidade, resistência e construção coletiva durante o 1º Encontro Estadual dos Povos de Terreiro da FREMAUBA – Bahia, realizado em celebração ao segundo aniversário do Fórum das Religiões de Matrizes Africanas e Umbanda da Bahia (FREMAUBA). Mais do que um encontro institucional, o evento se consolidou como um grande marco político, cultural, espiritual e territorial na luta contra a invisibilidade histórica enfrentada pelos povos de terreiro em todo o estado da Bahia.

Foto: Pimm Produção e Eventos
Realizado na Escola Municipal São Judas Tadeu, o encontro reuniu mais de 140 participantes entre yalorixás, babalorixás, ogãs, ekedys, abiãs, lideranças comunitárias, pesquisadores, apoiadores e representantes de movimentos sociais vindos de diversas regiões da Bahia. Estiveram presentes representantes dos territórios Portal do Sertão, Sisal, Litoral Norte e Agreste Baiano, Recôncavo e Região Metropolitana, alcançando a participação de 23 municípios baianos e demonstrando a força crescente da articulação dos povos tradicionais de matriz africana.
Mais do que números, o encontro carregou símbolos. Cada roupa branca, cada guia, cada toque ancestral, cada fala e cada caminhada realizada pelas ruas de Irará representaram séculos de resistência de um povo que sobreviveu ao apagamento histórico, ao racismo estrutural, à intolerância religiosa e à exclusão social produzida por um sistema que ainda insiste em negar humanidade, dignidade e espaço aos corpos negros, periféricos e tradicionais.
Os dados apresentados durante o encontro revelaram também a potência da participação popular: 63,9% do público era composto por mulheres e 36,1% por homens. Entre os participantes, 83,6% integravam terreiros e 16,4% não possuíam vínculo direto com casas religiosas, demonstrando que a luta dos povos de terreiro ultrapassa os espaços sagrados e alcança toda a sociedade comprometida com direitos humanos, equidade racial e justiça social.
A maioria dos participantes se declarou praticante do candomblé (87,5%), seguida da umbanda (8,9%), enquanto os demais afirmaram pertencer a outras tradições religiosas. Entre as funções exercidas nos terreiros, destacaram-se 27,8% de yalorixás, 20,4% de ekedys, 14,8% de babalorixás, 14,8% de abiãs, 11,1% de ogãs e 11,1% de yaôs. Já 56,1% afirmaram integrar alguma associação ou coletivo formal, revelando o fortalecimento da organização social e comunitária dos povos tradicionais.
As motivações que levaram os participantes ao encontro reafirmam a centralidade política do evento: 68,9% apontaram o fortalecimento do povo de terreiro e a luta pelos direitos religiosos como principal objetivo de participação. Outros destacaram a busca por formação, capacitação, intercâmbio cultural e fortalecimento comunitário.
Mas talvez o maior dado revelado pelo encontro não tenha sido estatístico. Foi humano. Foi territorial. Foi ancestral.

Foto: Pimm Produção e Eventos
A FREMAUBA mostrou que a Bahia profunda segue viva e organizada. Uma Bahia negra, periférica, quilombola, de terreiro, de oralidade ancestral, de espiritualidade coletiva e de resistência popular.
Nesse contexto, a presença da Iyálorixá Professora Raimunda, do município de Acajutiba-BA, presidenta da ATREAMACAF e liderança do Ilê Axé Odé Obá Kêtu, tornou-se um dos símbolos mais importantes da integração territorial construída ao longo do encontro.
Professora da rede municipal, licenciada pela UNEB e pós-graduada em História da Cultura Afro-Brasileira, Raimunda representa a união entre educação, ancestralidade e militância cultural. Sua caminhada ultrapassa os limites institucionais e se transforma em prática viva de resistência dentro dos territórios periféricos e tradicionais.
Sua presença em Irará não representou apenas a participação de uma liderança religiosa. Representou a chegada do Litoral Norte e Agreste Baiano aos espaços de articulação estadual dos povos de terreiro. Representou Acajutiba ocupando lugar de fala, produção de conhecimento e construção política dentro de um movimento historicamente invisibilizado.
A caminhada da Professora Raimunda também esteve presente na 2ª Caminhada dos Povos de Terreiro de Araci-BA, ampliando ainda mais essa conexão territorial entre regiões da Bahia. O convite realizado pelo Sr. Professor Pai Bira possibilitou a construção dessa “esticada ancestral” entre territórios distintos, aproximando Acajutiba e Araçás dos territórios do Sisal e Portal do Sertão.
Essa integração entre territórios vai muito além da presença física em eventos. Ela representa uma estratégia coletiva de fortalecimento das identidades negras e tradicionais diante das múltiplas formas de apagamento cultural ainda existentes no Brasil.
A trajetória construída pela PIMM Produção e Eventos e pela CONESABR – Consultoria Paraguai Santos também dialoga diretamente com esse movimento de desbravamento territorial através da cultura viva.
Ao longo dos últimos anos, a atuação desenvolvida nos territórios periféricos do Litoral Norte e Agreste Baiano tem buscado romper fronteiras históricas que impediram populações negras, quilombolas, de terreiro e periféricas de acessarem espaços de valorização, reconhecimento e protagonismo cultural.
Desbravar territórios, nesse contexto, não significa apenas viajar entre municípios. Significa abrir caminhos para que comunidades historicamente silenciadas possam existir de forma digna, reconhecida e respeitada.

Foto: Pimm Produção rodução e Eventos
Significa transformar cultura em ferramenta de mobilização social. Transformar ancestralidade em política pública. Transformar oralidade em patrimônio. Transformar memória em direito coletivo.
A presença dessas lideranças em eventos estaduais reafirma a importância da descentralização das políticas culturais e da valorização das experiências produzidas fora dos grandes centros urbanos.
Porque existe inteligência nas periferias. Existe epistemologia negra nos terreiros. Existe ciência ancestral nas comunidades tradicionais. Existe educação popular nos quilombos. Existe produção de conhecimento nos corpos historicamente marginalizados.
E é justamente contra esse apagamento histórico que movimentos como a FREMAUBA vêm se posicionando.

Foto: Paty Neri
O encontro reafirmou de maneira contundente que os terreiros não são apenas espaços religiosos. São territórios de cuidado, proteção social, alimentação, acolhimento, transmissão de saberes, saúde coletiva, educação ancestral e construção comunitária.
Com o tema “Terreiros como territórios de cuidado, cultura e direitos”, a programação promoveu um profundo diálogo entre lideranças tradicionais e representantes da academia comprometidos com as pautas antirracistas e com a valorização das religiões de matriz africana.

Foto: Paty Neri
Participaram da mesa central nomes importantes como Ekéde Patrícia Crisóstomo de Ogum, do Ilê Obá L’Ôke, em Lauro de Freitas; Yá Togum, do Ilê Baba Ikuladê; Tata Riá Ti N’Kissi Ndembuka, importante liderança inter-religiosa de Feira de Santana; a Pós-Doutora Jucélia Bispo dos Santos; além do Dr. Denilson Lima Santos, doutor em Estudos Literários e liderança religiosa do Templo do Orixá Exú.
As discussões atravessaram temas fundamentais como racismo religioso, intolerância, invisibilidade institucional, violência contra mulheres negras, direito à cidade, educação antirracista, preservação dos espaços sagrados e fortalecimento das políticas públicas para os povos tradicionais.

Foto: Paty Neri
Durante o encontro também foi distribuído o Caderno Base Orientador, instrumento estruturante que serviu como referência para os debates, formações e alinhamento político do movimento.
Outro momento de destaque foi a atividade “Comidas de Santo: da cozinha sagrada à mesa contemporânea”, conduzida pela Yalorixá Maricélia e pela Ekedy Taíse Salles, reafirmando o valor cultural, espiritual e histórico da alimentação ancestral dentro das tradições de matriz africana.
As moções aprovadas durante o encontro reforçaram o posicionamento político da FREMAUBA diante dos desafios contemporâneos: — Moção pelos 184 anos de Emancipação Política de Irará; — Moção de Repúdio ao Feminicídio e à Violência contra as Mulheres; — Moção de Repúdio ao Racismo Religioso; — Moção de Solidariedade ao Povo Palestino.

Foto: Paty Neri
Também foi aprovado o Plano de Luta dos Povos de Terreiro – FREMAUBA/BA, documento que servirá de base para a construção de uma carta política a ser apresentada aos poderes públicos e aos candidatos nas eleições de 2026.
Mas talvez uma das cenas mais emblemáticas do encontro tenha sido a Caminhada do Axé pelas ruas de Irará, realizada através do ato público “Parem de Nos Matar”.
Ali estavam corpos negros ocupando as ruas com dignidade. Ali estavam mulheres negras transformando dor em luta. Ali estavam terreiros afirmando sua existência diante de séculos de perseguição. Ali estava um povo dizendo que não aceitará mais morrer em silêncio.

Foto: Paty Neri

A caminhada simbolizou muito mais que um ato religioso. Foi uma manifestação política, cultural e ancestral em defesa da vida do povo negro e dos povos tradicionais de matriz africana.
O encerramento do encontro aconteceu em clima de celebração da resistência, com apresentações culturais do Xirê de Rua, do Grupo Renascer De novo com Bino da Viola, da Quadrilha Junina Renascer e da Banda Alacorin. Cada canto. Cada tambor. Cada dança. Cada xirê. Reafirmava que a ancestralidade segue viva. A trajetória construída pela FREMAUBA dialoga diretamente com os princípios da Política Nacional Cultura Viva, fortalecendo a ideia de que cultura é direito, pertencimento, memória e transformação social.

foto: Pimm produção e eventos

Foto: Paty Neri

Agradecimento institucional pelo apoio: Jackson Conrado (Catu), Jailson Freitas (Sapeaçu), Ilê Axé Odé Obá kêtu (Acajutiba).
Matéria produzida por PIMM Produção e Eventos — Ponto de Cultura certificado pelo Ministério da Cultura através da Política Nacional Cultura Viva (ID Cultura Viva nº 1637639), em articulação com a CONESABR – Consultoria
Coordenação Técnica: Paraguai Santos | Araçás – Bahia
Contato: conesabr@gmail.com | (75) 98831-4564
Instagram: @pimm_producao.eventos | @conesabr.oficial | @cosmeparaguaivigilant
Dentro desse processo, a atuação da PIMM Produção e Eventos, reconhecida como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura através da Política Nacional Cultura Viva (ID Cultura Viva nº 1637639), juntamente com a CONESABR – Consultoria Paraguai Santos, reafirma o compromisso com o fortalecimento das culturas periféricas, negras, quilombolas e tradicionais da Bahia.
O trabalho desenvolvido nos territórios segue construindo pontes entre comunidades, promovendo integração cultural e fortalecendo redes de resistência através da valorização da identidade afro-brasileira e das tradições de matriz africana. Porque a cultura periférica não é ausência. É potência. O povo negro não é invisível. Foi invisibilizado. E os povos de terreiro seguem demonstrando que a ancestralidade continua sendo uma das maiores ferramentas de reconstrução coletiva, resistência política e transformação social do Brasil.

Fotos: Paty Neri e PIMM Produção e Eventos

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