
DO TERRITÓRIO AO MERCOSUL: PIMM TRANSFORMA MEMÓRIA QUILOMBOLA, ORALIDADE E GARANTIA DE DIREITOS EM CONHECIMENTO PARA CIRCULAÇÃO
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Reconhecimentos institucionais recentes fortalecem uma trajetória que conecta Cultura Viva, comunidades quilombolas, mestres da oralidade, produção audiovisual e tecnologia social — e abrem uma pergunta: por que esse conhecimento produzido nos territórios brasileiros não pode também circular pela América Latina?

Araçás, Bahia — agosto de 2026.
Agosto começa trazendo dois movimentos que, embora tenham origens distintas, encontram-se no mesmo território simbólico: reconhecimento, memória e garantia de direitos.
A publicação da Portaria nº 326, de 22 de julho de 2026, da Fundação Cultural Palmares, no Diário Oficial da União de 4 de agosto, certificou oficialmente que a Comunidade Raposo, no município de Araçás, Bahia, se autodefiniu como Remanescente de Quilombo, determinando seu registro no Cadastro Geral da instituição.
É justamente nesse território que a PIMM Produção e Eventos, Ponto de Cultura certificado pelo Ministério da Cultura, vem desenvolvendo ações de memória, oralidade, audiovisual e salvaguarda cultural, aproximando produção cultural e garantia de direitos.
Entre essas trajetórias estão as Mestras Petronilia, Marcolina e Júlia, mulheres negras cujas histórias, conhecimentos, práticas comunitárias e memórias ajudam a contar uma parte do Brasil que durante muito tempo permaneceu fora dos grandes circuitos de produção e circulação do conhecimento.
Mas outro reconhecimento institucional recebido neste início de agosto amplia essa leitura.

A Secretaria Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e de Políticas para os Povos e Comunidades Tradicionais e Quilombolas de Antônio Cardoso convidou formalmente a direção da PIMM para participar da 1ª Caminhada Inter-religiosa pela Promoção da Igualdade Racial e da Liberdade Religiosa, reconhecendo uma trajetória relacionada à ancestralidade, aos saberes tradicionais, à diversidade e à preservação de valores culturais.
Esse reconhecimento é especialmente significativo porque revela uma dimensão que ultrapassa a produção audiovisual.

CULTURA TAMBÉM É GARANTIA DE DIREITOS
Registrar uma mestra da oralidade não significa somente produzir uma imagem.
Ouvir uma parteira tradicional não significa somente realizar uma entrevista.
Documentar uma comunidade quilombola não significa simplesmente produzir conteúdo para uma plataforma digital.
Quando memória, oralidade, ancestralidade e conhecimento territorial são registrados com participação dos próprios detentores desses saberes, a produção cultural também se transforma em instrumento de reconhecimento, visibilidade, preservação e garantia de direitos.
É nessa interseção que a PIMM vem construindo sua atuação.
A experiência territorial passa pelo audiovisual, mas não termina nele.
Experiência vivida → memória e oralidade → registro → sistematização → conhecimento → formação → circulação.
Essa lógica começa a constituir uma tecnologia social de produção e organização do conhecimento territorial, capaz de transformar experiências comunitárias em acervos, publicações, documentários, conteúdos formativos e produtos culturais sem retirar dos seus protagonistas sua identidade e pertencimento.
DA BAHIA PARA NOVAS FRONTEIRAS
O reconhecimento oficial de uma comunidade quilombola é uma conquista do próprio território e de sua organização social. A certificação da Fundação Cultural Palmares não pertence à PIMM — e é importante deixar isso muito claro.
O papel da PIMM está em outro lugar: contribuir para que histórias, conhecimentos, sujeitos e patrimônios vivos desses territórios tenham instrumentos de registro, preservação, comunicação e circulação.
E é justamente daí que surge uma nova etapa.
Se experiências construídas no interior da Bahia conseguem articular Cultura Viva, audiovisual, oralidade, educação, memória, igualdade racial e garantia de direitos, por que limitar sua circulação às fronteiras do território onde nasceram?
A internacionalização que começa a ser pensada pela PIMM não significa exportar comunidades ou transformar ancestralidade em mercadoria.
Significa internacionalizar o conhecimento produzido a partir dos territórios, criando possibilidades de intercâmbio, tradução, formação, pesquisa, cooperação, licenciamento editorial, circulação audiovisual e diálogo entre comunidades e instituições latino-americanas.
E esse conhecimento pode dialogar com experiências afrodescendentes, indígenas, tradicionais e comunitárias existentes em diferentes países da América Latina.
UMA TECNOLOGIA QUE NASCE DO TERRITÓRIO
A PIMM chega a esse momento não apresentando uma ideia abstrata de internacionalização, mas uma experiência em processo de sistematização.
O território produz saber.
A oralidade preserva esse saber.
O audiovisual registra.
A produção editorial organiza.
A tecnologia amplia o acesso.
A formação compartilha.
E a circulação permite que aquilo que nasceu localmente dialogue com outros territórios.
É dessa arquitetura que surge o desafio seguinte: transformar uma metodologia territorial brasileira em possibilidade de cooperação cultural latino-americana.
E talvez a questão mais importante deste início de agosto não seja simplesmente até onde a PIMM já conseguiu chegar.
É outra:
Se os saberes que durante gerações permaneceram vivos pela resistência das comunidades agora podem ser registrados, sistematizados e compartilhados com responsabilidade, por que não criar caminhos para que esse conhecimento também atravesse fronteiras?

VERSÃO EM ESPANHOL | BRASIL → MERCOSUL
DO TERRITÓRIO AO MERCOSUL: PIMM TRANSFORMA MEMÓRIA QUILOMBOLA, ORALIDADE E GARANTIA DE DIREITOS EM CONHECIMENTO PARA A CIRCULAÇÃO
Reconhecimentos institucionais recentes fortalecem uma trajetória que conecta Cultura Viva, comunidades quilombolas, mestras da oralidade, produção audiovisual e tecnologia social, abrindo novas possibilidades de diálogo com a América Latina.
Bahia, Brasil — agosto de 2026.
Agosto começa com importantes movimentos de reconhecimento, memória e garantia de direitos.
A Fundação Cultural Palmares certificou oficialmente a autodefinição da Comunidade Raposo, localizada em Araçás, Bahia, como Remanescente de Quilombo, incorporando-a ao seu cadastro institucional.
Neste território, a PIMM Produção e Eventos, Ponto de Cultura certificado pelo Ministério da Cultura do Brasil, desenvolve ações relacionadas à memória, oralidade, produção audiovisual e salvaguarda cultural.
As trajetórias das mestras Petronilia, Marcolina e Júlia fazem parte desse processo: mulheres negras cujos saberes e memórias representam um patrimônio vivo transmitido entre gerações.
Ao mesmo tempo, um recente reconhecimento institucional da política pública de promoção da igualdade racial reforça outra dimensão deste trabalho: a cultura também pode se transformar em instrumento de visibilidade, reconhecimento e garantia de direitos.
Registrar a oralidade não é apenas produzir conteúdo.
Preservar uma memória não é apenas criar um arquivo.
Quando os próprios territórios participam da construção de suas narrativas, a produção cultural pode se transformar em conhecimento organizado e comunicável.
A experiência desenvolvida pela PIMM propõe precisamente esse percurso:
Experiência territorial → memória e oralidade → registro → sistematização → conhecimento → formação → circulação.
Dessa forma, produção audiovisual, conteúdos editoriais e ferramentas digitais podem atuar conjuntamente para preservar saberes e criar novas possibilidades de intercâmbio.
DO TERRITÓRIO BRASILEIRO À AMÉRICA LATINA
Internacionalizar esta experiência não significa comercializar a ancestralidade nem retirar o conhecimento de suas comunidades de origem.
Significa criar condições para que conhecimentos produzidos nos territórios possam dialogar com outros territórios por meio de tradução, formação, pesquisa, cooperação, produção editorial, circulação audiovisual e intercâmbio cultural.
O Brasil possui uma extraordinária diversidade de saberes afro-brasileiros, quilombolas, populares e tradicionais.
A América Latina também possui territórios que conservam conhecimentos por meio da oralidade, da memória comunitária e da resistência cultural.
Conectá-los pode abrir um novo espaço de cooperação.
O PIMM começa, assim, a olhar para o MERCOSUL não apenas como mercado, mas como território ampliado de circulação do conhecimento cultural.
E uma pergunta fica em aberto:
Se uma tecnologia social construída a partir dos saberes populares brasileiros pode preservar memória, gerar conhecimento e fortalecer direitos, por que não criar as condições para que ela também dialogue com os territórios do MERCOSUL?
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