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Raiz, Axé e Organização: ATREAMACAF inaugura, em Acajutiba (LNAB-18), um novo ciclo de acesso a direitos, educação de base e financiamento cultural, consolidando a ancestralidade como política pública viva na Bahia

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Acajutiba – Bahia | 1º de maio de 2026

ATREAMACAF nasce em Acajutiba e marca um novo tempo de organização dos povos de terreiro no território LNAB-18.

Em um movimento histórico de articulação, resistência e afirmação cultural, foi instituída no dia 1º de maio de 2026 a ATREAMACAF – Associação dos Terreiros e Redes de Educação Ancestral, Cultura Afro-Brasileira e Axé, no município de Acajutiba, no Território de Identidade Litoral Norte e Agreste Baiano (LNAB-18).

A criação da associação não surge de forma isolada, mas como resultado de um processo coletivo iniciado em janeiro de 2026, reunindo três importantes casas de matriz africana da periferia do município, lideradas por referências espirituais, culturais e comunitárias da Bahia.

Os três pilares fundadores – cada terreiro, uma identidade

A ATREAMACAF nasce a partir da união dos seguintes espaços sagrados e seus representantes:

🔹 Ilê Axé Odé Obá Ketu

Iyá Professora Raimunda dos Anjos Silva – Presidente; Valdelice Correia Santana – Coordenadora Pedagógica; Andressa de Jesus Machado Santos – Conselheira Fiscal. Trata-se de um terreiro com trajetória consolidada desde 1996, reconhecido como espaço de cultura viva, educação ancestral e fortalecimento comunitário.

🔹 Onzó Tambulê Kayamin Nzambi

Tata Eronildo de Matos Victorio – Diretor Financeiro; Gabriel Ferreira Victorio – Coordenador de Economia Criativa; João Manoel Neves dos Santos – Conselheiro Fiscal. Espiritualidade Angola e continuidade histórica. Representado por Tata Eronildo Victorio, carrega a tradição da Nação Angola e o legado da família Victório. A trajetória está diretamente ligada a Tata Nildo do Pajeú, referência espiritual, comunitária e cultural, cuja atuação mantém viva a relação entre fé, território e responsabilidade coletiva. Aqui, o terreiro se consolida como território de cuidado, transmissão e continuidade histórica.

🔹 Inzó Musambu Nkosi Mukumbi

Tata Eraldo José dos Santos – Diretor de Cultura; Laís Nunes Pereira da Silva – Secretária; Ivonete Santos Silva – Conselheira. Prática da mobilização e força comunitária. Sob liderança de Tata Eraldo Nkosi, destaca-se pela capacidade de articulação e mobilização. Seu chamado expressa comunidade e pertencimento: Convocando tatetus, mametus, makotas, cambondos, filhos de ngunzo, amigos e simpatizantes. O terreiro atua como espaço de fortalecimento coletivo e conexão entre tradição e território. Legalidade, legitimidade e acesso aos direitos de resistência isolada à organização coletiva.

Durante décadas, os povos de terreiro enfrentaram barreiras estruturais que limitaram seu acesso a políticas públicas, financiamento e reconhecimento institucional.

A realidade sempre foi marcada por: racismo estrutural, intolerância religiosa, invisibilização cultural, exclusão dos espaços de decisão, dificuldade de acesso a recursos públicos. A criação da ATREAMACAF representa uma virada estratégica: sair da atuação isolada para a força coletiva institucionalizada. Um passo alinhado aos marcos legais do Brasil, a institucionalização da associação não é apenas simbólica, é juridicamente estratégica e politicamente legítima, pois dialoga diretamente com os principais marcos legais brasileiros.

MARCOS LEGAIS:

Constituição Federal de 1988 (Art. 5º, 215 e 216); Lei nº 12.288/2010 – Estatuto da Igualdade Racial; Decreto nº 4.887/2003; Lei nº 8.080/1990 (SUS – Art. 3º); Lei nº 8.742/1993 (LOAS); Lei nº 10.639/2003 Política Nacional de Cultura Viva; Lei nº 13.019/2014 (MIROSC); Política Nacional Aldir Blanc (PNAB); Educação ancestral como eixo estruturante. A ATREAMACAF não nasce apenas como entidade cultural, mas como rede de educação ancestral viva, onde o terreiro se consolida como: espaço de formação, lugar de memória, território de pertencimento, núcleo de fortalecimento da identidade. Esse modelo dialoga diretamente com práticas pedagógicas afrocentradas já desenvolvidas no território, reconhecendo que:

“Fortalecer identidade é fortalecer permanência, dignidade e futuro.”

Intersetorialidade como um caminho real. A construção da ATREAMACAF materializa, na prática, aquilo que estudos técnicos já apontam: políticas públicas isoladas não resolvem desigualdades, educação, cultura, saúde e assistência precisam atuar juntas, o território precisa ser o centro da política pública. Um marco para o território LNAB-18, a ATREAMACAF se consolida como: pedra fundamental de organização territorial, instrumento de acesso a políticas públicas, mecanismo de fortalecimento cultural, referência de resistência e continuidade ancestral. Mais do que uma associação, torna-se porta de entrada para direitos que sempre existiram, mas nem sempre foram acessados.

O ATO OFICIAL

No dia 1º de maio de 2026, às 14h, por meio de assembleia geral extraordinária realizada virtualmente na plataforma Jitsi Meet, foi oficialmente instituída a ATREAMACAF, reunindo lideranças religiosas e comunitárias dos povos de terreiro de Acajutiba/BA.

A assembleia, mediada por Cosme Paraguai Santos da Silva, contou com participação formal das casas tradicionais, com registro, deliberação e posse da diretoria, consolidando juridicamente uma construção coletiva iniciada meses antes.

Os terreiros fundadores e suas lideranças

🔹 Ilê Axé Odé Obá Kêtu, Sob a liderança da Iyá Professora Raimunda,

🔹 Onzó Tambulê Kayamin Nzambi, sob a condução de Tata Eronildo de Matos Victorio.

🔹 Inzó Musambu Nkosi Mukumbi, com Tata Eraldo José dos Santos à frente.

A ATREAMACAF reafirma que: o direito sempre existiu, agora existe estrutura para acessá-lo.

CONCLUSÃO

Quando o território se organiza, o sistema precisa responder. A experiência de Acajutiba revela uma verdade simples: O Brasil não precisa de mais leis. O Brasil precisa executar melhor as leis que já existem. E quando o povo se organiza com identidade, ancestralidade e estratégia: o invisível se torna visível, o isolado se torna coletivo, o direito deixa de ser distante e passa a ser acessado.

FECHAMENTO

A ATREAMACAF não nasce do zero. Nasce de uma história viva. De uma memória que nunca se perdeu. De uma resistência que nunca parou. E agora se transforma em: estrutura, acesso, continuidade e futuro.

“Quando as raízes são profundas, não há razão para temer o vento.”

Coordenação Técnica: PIMM Produção e Eventos – Ponto de Cultura (MinC)

ID Cultura Viva nº 1637639 | CONESABR – Consultoria Paraguai Santos

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